domingo, 4 de janeiro de 2009

Português: novo ano, novas regras

O poema “Última Flor Lácio” é um dos mais famosos que homenageiam a língua portuguesa. Escrito pelo poeta Olavo Bilac, que viveu entre 1865 e 1918, ele foi composto dentro de uma corrente literária chamada Parnasianismo, em que preocupação com a forma era essencial e se sobrepunha sobre o cuidado em relação ao conteúdo. Hoje, ao ler esta poesia, talvez muitas pessoas não compreendam seu o significado sem a ajuda de um bom dicionário (ver quadro). Apenas 100 anos depois, podemos ver como o Português que falamos atualmente parece tão diferente daquele que consta na obra de Olavo e se torna quase outro idioma para os falantes de hoje. Isso ocorre por que a língua, assim como aqueles que a falam, é viva, precisando mudar e se transformar para se adaptar às necessidades e ao cotidiano do seu povo.
Com a virada do ano, na última quinta-feira, o português - e seus usuários em todo o mundo - adquiriram a necessidade de se adaptar a uma nova realidade: o novo acordo ortográfico. A medida, que modifica algumas regras de nosso idioma, passou a vigorar a partir do dia 1º de janeiro deste ano. Com isso, o Português passa a ter a mesma ortografia em todo o mundo.
A partir de agora, os sete países de língua oficial portuguesa - Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe - terão um vocabulário ortográfico comum, o que não acontecia até então. Com a medida, a língua portuguesa será alterada em 0,5% dos vocábulos no Brasil e 1,7% dos de Portugal. O Ministério da Educação inicia, agora, um processo de substituição dos livros didáticos, com as compras realizadas pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) a partir de 2009. Na medida em que forem substituídos, os livros novos já serão elaborados e publicados com a nova ortografia.
Última flor do Lácio
“Última flor do Lácio, inculta e bela, És, a um tempo, esplendor e sepultura: Ouro nativo, que na ganga impura A bruta mina entre os cascalhos vela...
Amote assim, desconhecida e obscura, Tuba de alto clangor, lira singela, Que tens o trom e o silvo da procelaE o arrolo da saudade e da ternura! Amo o teu viço agreste e o teu aroma De virgens selvas e de oceano largo! Amo-te, ó rude e doloroso idioma, Em que da voz materna ouvi: ‘meu filho!’E em que Camões chorou, no exílio amargo, O gênio sem ventura e o amor sem brilho!”
Folha de Pernambuco

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