domingo, 4 de janeiro de 2009

Disputa na Câmara ainda indefinida

Apesar do favoritismo de Temer, quadro aponta para eleição em 2º turno
A disputa pela presidência da Câmara entra na reta final neste mês. A eleição da Mesa Diretora foi marcada para o dia 2 de fevereiro. E o cenário, apesar de parecer definido e extremamente favorável ao peemedebista Michel Temer (SP), que reúne o apoio de 12 partidos, é considerado, nos bastidores, cada vez mais indefinido e deve ser decidido em um segundo turno, que já foi marcado para o mesmo dia. Ao todo, são quatro deputados tentando conquistar a cadeira máxima da Casa: Temer, Ciro Nogueira (PP-PI), Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e Osmar Serraglio (PMDB-PR).
Em meio às articulações de seus programas de governo, os quatro candidatos também dispensam um longo tempo fazendo e refazendo contas dos votos. Para vencer, qualquer um dos candidatos vai precisar do aval de 257 dos 513 deputados. Temer reúne o compromisso de votos da cúpula de 12 partidos, que somam 398 votos. Mas como o pacto do peemedebista é com as lideranças do partido e a votação é secreta, nada está garantido. Aldo, Nogueira e Serraglio esperam pelo menos 142 traições a Temer. Os três trabalham pelos votos do PP, PCdoB, PSB, PDT, PRB e PMN, que são responsáveis por 108 votos.
O que chama atenção é que os candidatos adotaram discursos semelhantes para formar suas plataformas de campanha. Todos ressaltam que é hora de reconquistar a autonomia do Legislativo, que tem sofrido real influência do Judiciário que estaria assumindo o papel do Congresso de legislar. Pelos corredores da Câmara e agora por telefone, uma vez que o Congresso está em recesso, os candidatos têm evitado tratar de temas polêmicos que possam refletir no voto dos parlamentares. Deixam de lado questões delicadas como reforma tributária.
Por outro lado, se comprometem em assumir e avançar em questões de interesse, como colocar em votação um projeto do deputado Flávio Dino (PCdoB-MA), que flexibiliza a fidelidade partidária. Os quatro reconhecem a avaliação do Judiciário de que o mandato pertence aos partidos, mas defendem uma regra que permita uma depois de três anos deve ser permitido ao parlamentar escolher se quer mudar de legenda. “É preciso encontrar uma forma de cumprir a regra, sem engessar o parlamentar”, disse Nogueira.
Outra proposta que deve ser prioridade na próxima gestão é a que trata da inelegibilidade. O governo diz que o ideal é a criação de um colegiado de juízes nos Tribunais de Justiça dos estados, dando celeridade às cassações das candidaturas e dos mandatos. Há resistências no Congresso e no Executivo a perseguição ao político “ficha-suja” que não foram condenados em todas as instâncias. Argumentam que as pessoas que respondem a muitos processos, mesmo sem julgamento definitivo, deveriam ter seu pedido de candidatura aceito.
Agência Nordeste

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