sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Disputa pela presidência da AL causa racha no PR

A proximidade da eleição pela presidência da Assembléia Legislativa da Bahia tem acirrado cada vez mais os ânimos no parlamento e levado alguns partidos até mesmo a racharem por falta de entendimento em prol de um candidato de consenso. Este é o caso do Partido Republicano (PR), que embora o republicano Elmar Nascimento tenha manifestado de forma clara o desejo de participar do embate, quatro dos seis integrantes da sua própria legenda – Ivo de Assis, Ângelo Coronel, Gilberto Brito e Pedro Alcântara –, decidiram por apoiar a reeleição do tucano Marcelo Nilo. Para isso, eles teriam contando com o apoio do deputado federal José Carlos Araújo. De acordo com Ângelo Coronel o fato se deu por Nascimento não ter cumprido o prazo estipulado pela bancada, no sentido de oficializar a sua candidatura. “Há pelo menos um mês fechamos um acordo e ele teria até hoje (ontem) para viabilizar seus espaços e mostrar chances reais de competir. Mas, ficou aguardando apoio do DEM e do PMDB, o que não aconteceu e o prazo dado por nós acabou expirando. Com isso, nos deixou livre para tomarmos a decisão politicamente mais acertada, que foi apoiar a reeleição de Nilo”, destacou. Vale ressaltar que na noite de quarta-feira, antes mesmo do “prazo” de Nascimento findar, embora o grupo não confirme, o apoio já havia sido comunicado até mesmo ao governador Jaques Wagner. Questionado se a decisão não significava um “racha” no partido, Coronel não hesitou em afirmar que o PR deveria se chamar “Partido Rachado”. “Até porque é um partido que já nasceu rachado, onde cada membro segue uma facção política diferenciada. Temos, por exemplo, uns que seguem ao senador e também presidente estadual, César Borges, outros que seguem ao ex-governador Otto Alencar e ainda há os que seguem a Igreja Universal. Ou seja, não é um partido que tem chefe, mas sim onde os deputados têm livre-arbítrio”, disparou, ressaltando que “nos damos bem, mas temos linha de independência”, complementou. Por tabela, Ângelo Coronel referindo-se ao senador César Borges, disse ainda que “não levamos ao conhecimento de ninguém, pois na maioria das vezes a cúpula do partido toma suas decisões e somente depois comunica à bancada. Portanto, não temos obrigação de comunicá-lo”, declarou. O senador, que está em solos baianos, foi procurado pela Tribuna, mas até o fechamento desta edição não foi localizado. O deputado Elmar Nascimento, por sua vez, assegurou que “mais do que nunca” a sua candidatura está mantida. “Não me preocupo com a tentativa de Nilo em fazer os deputados pensarem que ele está forte, pois basta lembrar que inicialmente ele declarou ter 48 votos garantidos, depois 34 e agora 24. Nem ele mesmo sabe quantos apoiadores tem, mas eu sei e vou ganhar a eleição. Até porque estou convicto de que os meus colegas querem uma Assembleia independente, com um presidente que não seja nem da situação nem da oposição e nas urnas isso será comprovado”. Sobre a debandada dos colegas republicanos, Nascimento preferiu minimizar a “traição”. Segundo ele, neste momento todos estão sendo levados pelo poder de sedução da caneta do governador Jaques Wagner, mas na hora do voto, que é secreto, “isso de nada valerá, mas sim a relação de afinidade que um tem com o outro e isso, posso assegurar que tenho com todos eles. Portanto, acredito que no dia do pleito não me deixarão na mão”, concluiu otimista.(Por Fernanda Chagas)
Tribuna da Bahia

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