A crise econômica mundial – que tantos sobressaltos trouxe e chegou a paralisar ou reduzir o ritmo de importantes setores da economia nos últimos meses do ano passado, como as indústrias automotiva e petroquímica para falar apenas de alguns segmentos importantes para a Bahia – está provocando um efeito positivo para quem pensa em construir ou reformar: a tendência de aumentos nos preços de materiais de construção foi revertida e já se fala numa estabilização de preços e até em leves quedas no caso de alguns produtos.
Quem trabalha com a revenda dos produtos na Bahia já começou a perceber a mudança de tendência apontada pelo Índice Nacional da Construção Civil (INCC), medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) a partir do último trimestre do ano passado. Influenciado pelo número recorde de lançamentos em 2008, o índice que mede a inflação do setor fechou com 11,96%, quase o dobro do que foi registrado no ano anterior, que apresentou 6,03%.
Em junho, o INCC chegou a 2,67%, metade do que foi registrado em todo o ano de 2006. A chegada da crise internacional coincidiu com a queda no índice, que chegou a dezembro, normalmente mês de muitas vendas, com 0,22%.
Apesar de consumir um volume de materiais menor que os vendidos em lojas para o consumidor, o uso intensivo da indústria da construção civil é apontada como responsável pela pressão no preço dos produtos, por conta do uso intensivo que faz dos mesmos.
Segundo dados da Associação Nacional dos Comerciantes de Materiais de Construção (Anamaco), as obras vias construtoras representam 33% do mercado brasileiro, enquanto as modalidades autogeridas, quando o dono do imóvel realiza a obra, são responsáveis por 67% das vendas de materiais. Para o presidente da Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção da Bahia (Acomac), Geraldo Cordeiro, se não fosse dezembro, a redução do ritmo por conta da crise mundial seria ainda maior. “A construção civil já reduziu, mas as revendas não perceberam isso porque o fim de ano ajudou a manter as vendas estáveis. Mas sabemos que é muito provável que aconteça uma redução”, analisa. Ele diz que o cimento aumentou, mas não tanto quanto o preço das ferragens, que acumulou um aumento de 45% de janeiro a outubro. “Depois do início da crise, os preços já baixaram em 5%”, destaca, falando sobre o período entre outubro e dezembro. “Se a procura se mantivesse haveria novos aumentos”, avalia. Cordeiro ressalta ainda que o aumento no preço do cimento, que diz ter sido em torno de 6%, reproduz “mais ou menos a inflação do período”, portanto, dentro da normalidade.
A Tarde
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