domingo, 15 de fevereiro de 2009

Qual a di­men­são po­lí­ti­ca de Eduardo?


O con­vi­te feito pela Micro­soft ao go­ver­na­dor Eduardo Campos (PSB) para que ele seja um dos pa­les­tran­tes do con­cei­tua­do Fórum de Líde­res da América (Government Leadership Forum) não con­fir­mou, so­men­te, o pres­tí­gio que o so­cia­lis­ta tem fora do Estado e do País. Também sus­ci­tou outro ques­tio­na­men­to, já bem re­cor­ren­te no meio po­lí­ti­co per­nam­bu­ca­no: qual a ver­da­dei­ra di­men­são do go­ver­na­dor de Pernambuco? Com a ad­mi­nis­tra­ção bem ava­lia­da e a con­fian­ça do pre­si­den­te Lula (PT), Eduardo - que bem pouco tempo atrás era ape­nas o neto do ex-go­ver­na­dor Miguel Arraes - vê, agora, seu nome bem co­ta­do na bolsa de apos­tas para a cor­ri­da pre­si­den­cial de 2010. Seja ocu­pan­do a vice na cha­pa que, pro­va­vel­men­te, terá a mi­nis­tra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), como ma­jo­ri­tá­ria - hi­pó­te­se mais viá­vel -, seja en­ca­be­çan­do a chapa go­ver­nis­ta - caso a pre­fe­ri­da de Lula não em­pla­que.
Políticos e ana­lis­tas são unâ­ni­mes em afir­mar que Edu­ardo reúne as con­di­ções ne­ces­sá­rias para obter êxito na dis­pu­ta na­cio­nal. É um ad­mi­nis­tra­dor com­pe­ten­te, seu go­ver­no é bem ava­lia­do, tem o con­tro­le do par­ti­do e já ocu­pou car­gos de des­ta­que - foi mi­nis­tro, de­pu­ta­do fe­de­ral, além de se­cre­tá­rio es­ta­dual. Apesar de bem ava­lia­do, o go­ver­na­dor foge desse de­ba­te como o diabo da cruz. Sem­pre que é per­gun­ta­do sobre o tema, sai pela tan­gen­te. “Só dis­cu­ti­rei 2010 em 2010”, re­pe­te.
No en­tan­to, fon­tes pa­la­cia­nas ga­ran­tem, em re­ser­va, que Eduardo, ao mesmo tempo em que evita falar no as­sun­to, ali­men­ta, nos bas­ti­do­res, seu nome para 2010. Para esses alia­dos, o so­cia­lis­ta pode usar, mais à fren­te, sua pro­je­ção na­cio­nal para ne­go­ciar o apoio do PSB ao can­di­da­to de Lula ou ao pos­tu­lan­te do PSDB. “Eduardo não tem o que per­der, vai es­pe­rar a hora certa para falar. Enquanto isso, ar­ti­cu­la nos bas­ti­do­res”, co­men­ta um go­ver­nis­ta.
Outro fator que im­pe­de Eduardo Campos de se po­si­cio­nar sobre o tema é o re­ceio de ser mal in­ter­pre­ta­do pelo elei­to­ra­do, que pode con­de­ná-lo por, ao invés de go­ver­nar, per­der seu tempo fa­zen­do po­lí­ti­ca. Na úl­ti­ma sexta-feira, o pró­prio pre­si­den­te Lula (PT) tra­tou de botar “água no chope” do alia­do. O pe­tis­ta clas­si­fi­cou Eduardo como “um qua­dro como pou­cos no Brasil”, mas adian­tou que não deve con­vi­dá-lo para a vice de Dilma por en­ten­der que “qua­tro anos são muito pouco” para o go­ver­na­dor dei­xar sua marca no Estado.
O cien­tis­ta po­lí­ti­co André Régis acre­di­ta que Eduardo só abri­rá mão da ree­lei­ção se for can­di­da­to a pre­si­den­te. “Vice não apa­re­ce. E, quan­do apa­re­ce, é para tra­zer pro­ble­ma para o ti­tu­lar. Nesses casos, os vices aca­bam de­sa­gra­dan­do os ti­tu­la­res e não in­di­ca­dos para su­ce­dê-los”, ava­lia o es­tu­dio­so.


Folha de Pernambuco


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